Guxtaw Uyräsu

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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Ao-Ao, mais perigoso e valente que um lobisomem

 

O sexto filho de Taúba e Kerana se chama Ao-Ao / Aw-aw. Ele nasceu com aparência suína. Dependendo da versão contada, ele tanto pode ser relatado com forma zoomórfica (forma animal) como também antropozoomórfica (metade humano e metade animal). Em geral, ele nascera como um porco do mato e quando se tornou adulto, tinha uma estatura média, corpo robusto e forte e dentes enormes. Seu nome é a onomatopeia de um latido de cachorro, porque era esse som que ele costumava fazer quando zangado. Era temido por muitos guerreiros por ser extremamente violento e considerado o mais perigoso dos sete irmãos. Relatos diziam que ele gostava de devorar caçadores. Quem estivesse sendo perseguido por ele, deveria subir em uma palmeira.
Contavam que ele tinha um grande tesouro escondido e para obtê-lo, era necessário roubar seu bastão mágico o que o fazia espernear como uma criança e assim, ceder parte de seus tesouros.
Entretanto, sua verdadeira fraqueza era o prazer carnal. Seu lado animal lascivo falava tão alto que quando tinha a oportunidade, capturava e estuprava qualquer mulher que encontrasse. Ele gostava de transformá-las em prisioneiras escravas sexuais amarradas em seu esconderijo. Quem engravidasse, era alimentada até darem a luz. Tal qual seu irmão Kurupi, ele ficava com os filhotes porquinhos e libertava as mães, pois sabia que se não fizesse isso, eles seriam mortos pelos aldeões quando nascessem. Esses porquinhos cresciam e viravam os chamados Tutus. Criaturas relatadas por muitos como ‘bichos papões’ usado para fazer os filhos obedecem. Awaw e sua prole viviam em colinas e montanhas.
Tal qual seu irmão Kurupi, a atitude de violação por parte de Awaw foi um dos motivos que fez os aldeões se revoltarem contra os filhos de Kerana e decidirem mata-los.

Curupi, o príapo das Américas

 

Realmente, a ilustração acima, do ponto de vista contemporâneo, nos parece imoral. Mas essa é a definição exata de Kurupi, o pai dos Kurupiras e quinto filho de Taúba e Kerana:
O Kurupi nascera um anão feio e cabeludo. Sua característica mais distintiva é o seu pênis incrivelmente longo e preênsil, ou seja, funcionava como o rabo de alguns macacos que se move e enrola funcionando como um braço. Ele tinha a mania de farejar moças em período fértil, esperar a noite e quando todos dormiam, ele botava seu pênis por alguma fresta na oka. O órgão se movia no interior da moradia como uma cobra até encontrar o órgão genital das mulheres e assim cometia o ato violável. Ele também costumava sequestrar as moças na mata para aprisiona-las em seu esconderijo e estupra-las. Ele fazia isso por todo o território do que hoje conhecemos como os países do Brasil, Colômbia, Venezuela, Peru, Paraguai e Uruguai. Ele teve dezenas de filhos que ficaram conhecidos como Kurupiras.


A atitude de violação por parte de Kurupi foi um dos motivos que fez os aldeões se revoltarem contra os filhos de Kerana e decidirem mata-los.


Jaci Jaterê, o neto da lua

 

De todos os filhos de Kerana, Jaci Jaterê / Jasy Jaterê é o que possui a aparência mais agradável. Seu nome significa literalmente "pedaço da lua" e foi assim nomeado porque sua aparência era semelhante à de sua/seu bisavó (ô), com pele bem branca, cabelo loiro muito leve olhos azuis. Apesar da aparência humana, meio que deformada e cor bem diferente da maioria das pessoas, sua verdadeira maldição era a incapacidade de crescer e parecer adulto. Com 30 anos ou mais, ele nunca deixará se ser um garotinho de 7 anos tanto física como também psicologicamente. Carregava consigo um cajado ou bengala mágica dourada esculpida como uma cabeça de cobra. O ser gostava de cuidar das matas de Kongõi (erva mate), por isso era visto como guardião delas. De Jasy ganhou o poder de fazer os outros cochilarem depois do almoço. A popular sesta ou soneca. Era nesse horário que ele gostava de percorrer aldeias e vilarejos à procura de crianças para brincar. O medo dos pais os fez botar medo em seus filhos dizendo que Jasy Jaterê iria hipnotiza-los, mata-los e devorá-los. No fim de tudo, o pobre garoto de aparência estranha só queria ter amigos. Seu final trágico aconteceu por culpa da raiva que alguns de seus irmãos haviam nutrido nas pessoas.



Monhaí, o Wrym sulamericano

Monyaí/Monhaí/Moñai era uma enorme serpente com dentes longos e afiados e com dois chifres grandes, semelhantes a antenas. Seu domínio é o campo aberto, mas também é dito viver em rios profundos e regiões inacessíveis. Ganhou de Boytatá a responsabilidade de vigiar o céu e a terra na região sul, uma vez que a serpente incandescente cuidava do restante das matas. A intensão era encontrar possíveis almas penadas e demônios para captura-los e devolvê-los ao inferno submerso.
Ele gostava de comer pássaros e os hipnotizava usando seu olhar e suas antenas. Era chamado de Inyujara (senhor dos campos) porque gostava de viver em campos abertos em meio às flores e borboletas. Quando necessário, se escondia por entre as árvores e subia nelas com muita velocidades.
Seu maior defeito era a cleptomania, ou seja, prazer em roubar as coisas. Fazia isso tanto para guardar em uma caverna como também para ver os humanos brigando e se acusando dos roubos.
Quando finalmente descobriram quem era o ladrão, os homens decidiram punir tanto ele como também seus irmãos. Nisso, usaram a valentia de uma guerreira chamada Porasy/Poraci que foi até o monstro dizer que estava apaixonada e assim ela conseguiu conquista-lo fazendo-o pedi-la em casamento. Duas festas foram feitas, uma na aldeia dela e outra reservada só para os irmãos de Monyaí na caverna dele. Quando todos ficaram bêbados, Porasy tentou escapar, o monstro percebeu e a agarrou com um bote. Seus gritos foram ouvidos pelos moradores que esperavam do lado de fora da caverna. Ordenou que queimassem a caverna e assim todo lá dentro morreram.


 

Boytuin / MBoi Tu'i, a serpente emplumada dos Tupi-Guarani

Boytuin / MBoi Tu'i se traduz literalmente como "serpente-tuim" (onde Tuim é uma espécie de periquito). Mas por ser um psitacídeo, dá a alusão de papagaio passando a também significar Cobra-Papagaio. Isso porque ele nasceu com corpo de cobra e cabeça e asas de papagaio. Ele tinha um olhar hipnótico que trazia falsas memórias medonhas e perturbadoras. Boytuin gostava de admirar as flores silvestres e também de viver próximo a córregos e riachos que atravessam matas fechadas. Quando a governante das águas, Sukury/Y’jara, ficou sabendo dessa criatura, foi até ela com boas intenções. Boytuin viu aquela serpente enorme se aproximando e tentou fugir de medo, mas Sukury o acalmou e lhe propôs que tomasse de conta dos córregos, pois ela era grande demais para vigiá-los. A intenção era evitar a fuga das almas atormentadas e dos demônios aprisionados em seu reino. Eles poderiam facilmente sair por esses riachos pois Sukury não conseguia entrar neles. Desde então, Boytuin passou a administrá-los. Ele ganhou péssima fama por atacar alguns pajés mal intencionados e com muita razão. Esses queriam aproveitar os córregos para extrair demônios que os ajudassem a fazer mal a seus inimigos. Boytuin os atacou sem mata-los usando seu poderoso grito atordoante, o que os fez voltar a suas aldeias, e contar a todos que aquela serpente voadora era má e perigosa. Com isso, a gentil criatura que só atacava por uma boa causa ficou vista como criatura maligna.