Guxtaw Uyräsu

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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Curupi, o príapo das Américas

 

Realmente, a ilustração acima, do ponto de vista contemporâneo, nos parece imoral. Mas essa é a definição exata de Kurupi, o pai dos Kurupiras e quinto filho de Taúba e Kerana:
O Kurupi nascera um anão feio e cabeludo. Sua característica mais distintiva é o seu pênis incrivelmente longo e preênsil, ou seja, funcionava como o rabo de alguns macacos que se move e enrola funcionando como um braço. Ele tinha a mania de farejar moças em período fértil, esperar a noite e quando todos dormiam, ele botava seu pênis por alguma fresta na oka. O órgão se movia no interior da moradia como uma cobra até encontrar o órgão genital das mulheres e assim cometia o ato violável. Ele também costumava sequestrar as moças na mata para aprisiona-las em seu esconderijo e estupra-las. Ele fazia isso por todo o território do que hoje conhecemos como os países do Brasil, Colômbia, Venezuela, Peru, Paraguai e Uruguai. Ele teve dezenas de filhos que ficaram conhecidos como Kurupiras.


A atitude de violação por parte de Kurupi foi um dos motivos que fez os aldeões se revoltarem contra os filhos de Kerana e decidirem mata-los.


Jaci Jaterê, o neto da lua

 

De todos os filhos de Kerana, Jaci Jaterê / Jasy Jaterê é o que possui a aparência mais agradável. Seu nome significa literalmente "pedaço da lua" e foi assim nomeado porque sua aparência era semelhante à de sua/seu bisavó (ô), com pele bem branca, cabelo loiro muito leve olhos azuis. Apesar da aparência humana, meio que deformada e cor bem diferente da maioria das pessoas, sua verdadeira maldição era a incapacidade de crescer e parecer adulto. Com 30 anos ou mais, ele nunca deixará se ser um garotinho de 7 anos tanto física como também psicologicamente. Carregava consigo um cajado ou bengala mágica dourada esculpida como uma cabeça de cobra. O ser gostava de cuidar das matas de Kongõi (erva mate), por isso era visto como guardião delas. De Jasy ganhou o poder de fazer os outros cochilarem depois do almoço. A popular sesta ou soneca. Era nesse horário que ele gostava de percorrer aldeias e vilarejos à procura de crianças para brincar. O medo dos pais os fez botar medo em seus filhos dizendo que Jasy Jaterê iria hipnotiza-los, mata-los e devorá-los. No fim de tudo, o pobre garoto de aparência estranha só queria ter amigos. Seu final trágico aconteceu por culpa da raiva que alguns de seus irmãos haviam nutrido nas pessoas.



Monhaí, o Wrym sulamericano

Monyaí/Monhaí/Moñai era uma enorme serpente com dentes longos e afiados e com dois chifres grandes, semelhantes a antenas. Seu domínio é o campo aberto, mas também é dito viver em rios profundos e regiões inacessíveis. Ganhou de Boytatá a responsabilidade de vigiar o céu e a terra na região sul, uma vez que a serpente incandescente cuidava do restante das matas. A intensão era encontrar possíveis almas penadas e demônios para captura-los e devolvê-los ao inferno submerso.
Ele gostava de comer pássaros e os hipnotizava usando seu olhar e suas antenas. Era chamado de Inyujara (senhor dos campos) porque gostava de viver em campos abertos em meio às flores e borboletas. Quando necessário, se escondia por entre as árvores e subia nelas com muita velocidades.
Seu maior defeito era a cleptomania, ou seja, prazer em roubar as coisas. Fazia isso tanto para guardar em uma caverna como também para ver os humanos brigando e se acusando dos roubos.
Quando finalmente descobriram quem era o ladrão, os homens decidiram punir tanto ele como também seus irmãos. Nisso, usaram a valentia de uma guerreira chamada Porasy/Poraci que foi até o monstro dizer que estava apaixonada e assim ela conseguiu conquista-lo fazendo-o pedi-la em casamento. Duas festas foram feitas, uma na aldeia dela e outra reservada só para os irmãos de Monyaí na caverna dele. Quando todos ficaram bêbados, Porasy tentou escapar, o monstro percebeu e a agarrou com um bote. Seus gritos foram ouvidos pelos moradores que esperavam do lado de fora da caverna. Ordenou que queimassem a caverna e assim todo lá dentro morreram.


 

Boytuin / MBoi Tu'i, a serpente emplumada dos Tupi-Guarani

Boytuin / MBoi Tu'i se traduz literalmente como "serpente-tuim" (onde Tuim é uma espécie de periquito). Mas por ser um psitacídeo, dá a alusão de papagaio passando a também significar Cobra-Papagaio. Isso porque ele nasceu com corpo de cobra e cabeça e asas de papagaio. Ele tinha um olhar hipnótico que trazia falsas memórias medonhas e perturbadoras. Boytuin gostava de admirar as flores silvestres e também de viver próximo a córregos e riachos que atravessam matas fechadas. Quando a governante das águas, Sukury/Y’jara, ficou sabendo dessa criatura, foi até ela com boas intenções. Boytuin viu aquela serpente enorme se aproximando e tentou fugir de medo, mas Sukury o acalmou e lhe propôs que tomasse de conta dos córregos, pois ela era grande demais para vigiá-los. A intenção era evitar a fuga das almas atormentadas e dos demônios aprisionados em seu reino. Eles poderiam facilmente sair por esses riachos pois Sukury não conseguia entrar neles. Desde então, Boytuin passou a administrá-los. Ele ganhou péssima fama por atacar alguns pajés mal intencionados e com muita razão. Esses queriam aproveitar os córregos para extrair demônios que os ajudassem a fazer mal a seus inimigos. Boytuin os atacou sem mata-los usando seu poderoso grito atordoante, o que os fez voltar a suas aldeias, e contar a todos que aquela serpente voadora era má e perigosa. Com isso, a gentil criatura que só atacava por uma boa causa ficou vista como criatura maligna.

 

Teju-Jaguar, o cérberos gentil e bondoso.

Dentro de alguma caverna, habita o espírito do primeiro filho nasceu com corpo de lagarto e cabeça de cachorro. Dependendo do povo que conta sobre ele, pode dizer que tem só uma cabeça, três e até sete. Por conta disso, recebeu o nome de O Teju-jagwar/Teîu Îagûar/Teiú-iaguá que significa "lagarto-cachorro").

Gostava de viver em cavernas e grutas o que o tornou protetor delas no imaginário dos povos antigos. Apesar da aparência, ele era o mais amigável e gentil entre seus irmãos. Se alimentava de frutas e mel. Há lendas que ele tinha uma pedra preciosa no topo da cabeça. Nos relatos da região sul do Brasil, ele vivia na Serra do Jarau – no município de Quaraí – RS e dentro de sua caverna acredita-se existir muitas joias e ouro guardados.
Teju-jagwar foi morto com seus irmãos durante uma emboscada dos povos que estavam revoltados. Os sete foram transformados na constelação Seyxu (Plêiades) depois desse evento.