Guxtaw Uyräsu

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terça-feira, 18 de maio de 2021

Macavi, o guerreiro forte como Hércules e Sansão

 

Macavi / Makavi é um herói mítico do qual não tenho muitas informações além daquilo que ouvi em histórias dos mais velhos. Relatos sobre ele se encontram em breves referências dentro de outras lendas contando sobre um guerreiro valente que havia ganhado força imensurável de uma divindade (Tupan? Mair? Yamandu?). Com isso, Makavi, dentro dos mitos é tipo o Hércules dos índios antigos. Não encontrei histórias específicas sobre ele. Desconheço sua origem, sua vida, seus feitos e seu fim. Tanto que não pude adicioná-lo na minha compilação mitológica a qual será publicada em livro em breve. Mesmo assim, eu não poderia deixar de apresentar essa figura que para a cultura indígena é equivalente a Hércules e Sansão.
Provavelmente, sua história está enterrada junto com os tabajaras exterminados durante o período de conflitos na Serra da Ibiapaba. É nessa região e proximidades que os poucos e últimos relatos sobre ele eram relembrados por idosos que ouviram de seus pais e avós.
Caso você que está lendo esse post tenha alguma informação, seja um breve relato ou até mesmo conhecimento dessa história, por favor comente. Será de grande ajuda. Pois esse personagem precisa ser relembrando pelas nossas narrativas.

Karaí, o pássaro de fogo

 

Karaí é a primogênita de Jakairá e Arasema. Seu pai lhe deu o poder sobre as chamas e através dela, Karaí pode se comunicar com qualquer pessoa pelo mundo. Ela costuma aparecer na forma de uma árvore lendária chamada Wbiraijá cujas folhas são labaredas que não consomem os galhos. Karaí tem a função de conectar telepaticamente as quatro deidades e permite que essas falem através dela. Com isso, Mair já se apresentou a muitos escolhidos (tendo Karaí como interlocutora) na forma desse arbusto incandescente.
Quando os pajés queriam conversar diretamente com um dos quatro deuse, eles recorriam ao auxílio de Jataí através das fogueiras. Claro, fazendo uso de músicas, bebidas e outras substâncias alucinógenas.
De uma forma prática, Karaí era uma espécie de Internet wi-fi para os antigos.
Karaí também gosta de se materializar em um surucuá incandescente. Esse, recebeu a alcunha de Tataguyrá (pássaro de fogo).
Como interlocutora e mensageira, sua morada é entre as quatro deidades. Em alguns dialetos, por conta da influência do cristianismo dos jesuítas, a palavra Karaí passou a significar o Espírito Santo e se tornou, no imaginário indígena cristão, parte da trindade divina juntamente com Tupan (fundido com a essência de Mair) sendo Deus e Yamandu sendo Jesus Cristo. O fato de estar exatamente entre os dois colaborou para a assimilação dessa ideia.
Karaí também passou a significar o adjetivo ‘santo’ e o substantivo ‘santidade’. E dela também surgiu o derivado Karaíba para se referir aos homens europeus.

Mair, o Deus Norte governante do inverno e equivalente indígena do Deus cristão

 

Mair é o verdadeiro ser Criador na mitologia tupi. Ele surgiu de si mesmo a partir de uma matéria espiritual desconhecida chamada jasuka (jaçuca). Após criar consciência, ele criou o mundo em sete tempos e depois foi dormir usando o oceano como seu lençol. Apenas ali ele encontrava o escuro necessário para seu sono pois o mundo era dominado pela luz. Foi dos seus pesadelos que nasceram o demônio Jurupari e depois a escuridão. Essa havia sido selada em um coco de tucumã por Yamandu e liberada tempos mais tarde por acidente. O sincretismo criado pelos jesuítas fundiu Mair a Tupan e o nome Mair se perdeu no tempo para a maioria dos povos. Como um só, receberam o título de Jandejara (Nosso Senhor) que também era usado para se referir a Yamandu. Pois agora, essas deidades passaram a representar a trindade Cristã (Pai-Filho-Espírito Santo) sendo esse último representado por Karaí, à qual falaremos numa postagem futura.
Mair mora no norte e controla o inverno (de meia noite entre 20 e 21 de junho até meia noite entre 22 e 23 de setembro).
Sobre seu regente, há duas versões diferentes. Sabe-se que é um Jaboti que vagueia pelo mundo e seu nome é Nyará/Nhará. Na primeira versão, Mair é o próprio Jaboti numa forma física.


Na segunda, Nyará era um índio muito idoso que se sacrificou em tempos de seca para garantir alimento ao seu povo. Com seu enterro, seu corpo fora enterrado e brotou como uma grande plantação de milho. Mair transformou parte dele no jaboti.
A cor símbolo de Mair é o Preto.

Yamandu, o Deus Sul governante do verão e representação indígena de Jesus Cristo

Yamandu é o que poderíamos chamar de versão tupi-guarani de Jesus Cristo. Ele nasceu de uma parte do próprio Criador sendo com ele um só, mas em outro corpo. Yamandu é o espírito da luz e sua cor símbolo depende da versão contada podendo ser o amarelo, o vermelho ou o laranja. Ele é o maior inimigo de Jurupari, o espírito (demônio) da morte. Por muitas vezes, formou aliança com Anyangá (o espírito da vida e do equilíbrio) para vencerem os planos estratégicos e maquiavélicos do espírito mal.

Seu fiel servo era Xandoré, um homem que se transformava no gavião uiraçu/harpia/gavião-real. Ele fora morto durante uma luta contra Jurupari e Yamandu o fez renascer como outra ave, uma Atinguaçu/Alma-de-gato e passou a se chamar Peurê. Deu a ele a responsabilidade de reger o verão (de meia noite entre 20 e 21 de dezembro até meia noite entre 20 e 21 de março) e representa-lo aqui no mundo físico. Yamandu vigia o mundo olhando através dos olhos de Peurê que por ser menor e mais ágil que antes enquanto gavião, agora pode se infiltrar entre galhos espinhosos em busca de demônios disfarçados de insetos.
Com o selamento da conexão com a dimensão espiritual, Yamandu se tornou o Sul.



 

Jakairá, o Deus Oeste governante da primavera

Jakairá é com certeza a deidade mais esquecida e ignorada depois que a influência jesuíta ganhou força. Pois suas funções não eram úteis para assimilação e evangelização dos indígenas. Jakairá foi o espírito original do fogo além dos seus poderes principais que são a fumaça e a neblina. Ele é a contraparte de Tupã sendo o governante do Oeste e da Primavera. Sua cor símbolo é o branco.
Jakairá também tinha uma esposa, Arasema (aurora vespertina) irmã de Arasy, esposa de Tupan. Juntos tiveram quatro filhos:
Karaí - foi a primogênita e recebeu do pai a responsabilidade pelo poder das chamas. Falaremos sobre ela numa postagem só dela.
Taúba – O que matou o primo Angatupyry pelo amor da jovem Kerana e foi amaldiçoado pela tia Arasy e com isso, seus sete filhos nasceram deformados.
Jyryva – A bela moça que recebeu do pai o poder de conter as chuvas para evitar outro dilúvio. Gosta de se pintar com todas as cores e hoje é conhecida pelo nome de Arco-íris.
Mutin é o mais novo e recebeu do pai a responsabilidade de reger a primavera (De meia noite entre e 22 e 23 de setembro até meia noite entre 20 e 21 de dezembro). Ele gosta de tomar a forma de uma onça suçuarana branca e muitas lendas são contadas sobre ele com a alcunha de espírito da neblina. Tal qual sua prima Katu, ele é o representante do pai aqui no mundo físico uma vez que as quatro deidades bloquearam a conexão com o mundo divino.